segunda-feira, 28 de março de 2016

Recordando o passado

Hoje velho e cansado
Recordo o meu passado
Com amargura e emoção
Vou contar a minha história
Que ainda tenho na memória
De uma triste desilusão

Foi num baile de um amigo
Que para  o meu castigo
Conheci uma linda morena
Percebi pelo seu olhar
Que ela queria me namorar
Aí começou o meu problema

Começamos a namorar
Mas para o meu azar
Ela sempre mentia
Pensava que era otário
E no conto do vigário
Tolamente eu caía

Cada cano que ela dava
O namoro eu terminava
Ela me enviava cartinha
Dizendo que estava sofrendo
Nem dormindo e nem comendo
Que grande amor por mim tinha

Quanto mais o tempo passava
Mais dela eu desconfiava
Estranhava seu comportamento
Cada dia  mais apaixonado
Era louco alucinado
Minha vida era tormento

Lembro que numa noite
Para mim foi um açoite
Em pleno sabadão
Fui trabalhar contrariado
Com o peito machucado
Temendo uma traição

Enquanto eu otário
Com um tal de Januário
Ela dançou a noite inteira
Vieram me contar
Resolvi de me vingar
E  fazer uma besteira

Passado uns dias
Para minha melancolia
Um amigo me entregou
Uma carta do Januário
E me disse: deixe de ser otário
Outra vez ela te enganou

Deu o endereço do amigo
Pensando evitar o perigo
E ninguém desconfiar
Se a esposa dele recebesse
Talvez ela escondesse
Que ninguém ia notar


Como sou um homem discreto
Tudo o que faço é concreto
Não abri a carta, embora a curiosidade
Estivesse quase me matando
O meu ódio foi aumentado
Matá-la era minha vontade

Esfriei a cabeça e caprichei
Uma carta enviei
Ao meu recente rival
Contado-lhe toda história
 Ele me respondeu com glória
Me chamando de anormal

Terminei tudo imediatamente
Jurei que aquela serpente
Eu não a queria nem pintada de ouro
Fiquei sabendo que o moço
Fez um tremendo alvoroço
Enchendo a  de desaforo

Muito meses ela ficou sozinha
Começou a me enviar cartinha
Dizendo estar arrependida
Jurando que me amava
Eu de novo acreditava
Naquela mulher mesquinha

Como quem ama perdoa
Voltamos num boa
Resolvemos noivo ficar
E para todo esse dilema
Para acabar com o problema
Resolvemos nos casar

É necessário eu entrar
Nesse detalhe e explicar
Ela era muito pobrezinha
Morava num cômodo só
Dava pena, dava dó
 Nem luz elétrica tinha

Parecia brincadeira
Eu sentia numa cadeira
Ela sentava na minha frente
Nada de beijo, de abraço
Nem pensar num amaço
Sua mãe era uma serpente

A mãe dela ficava na cama
Espiando todo drama
Do nosso namoro antigo
E na hora da despedida
Ela nos acompanhava na saída
Era um verdadeiro castigo

Eu noivo, com casamento marcado
Sendo assim vigiado
Malmente pagava na mão
 Aquilo era muito desaforo
Mas para terminar ao namoro
Não ia aguentar a paixão

Até um dia apareceu um vizinho
Dando uma de bonzinho
Colocou luz no barraco
Deu-lhe emprego de balconista
Para aquela vigarista
Dar um ponta pé no meu saco

Fiquei sabendo que ela de minissaia
Foi tomar banho de praia
Junto com o seu patrão
Aí não teve mais jeito
Resolvi tirar do peito
Aquela louca paixão

Rompi o noivado, pedi a aliança
Tirei a ideia de vingança
Me mudei pra capital
Fui morar com o meu padrinho
O chefe era seu vizinho
Me arrumou de servente geral

Fábrica de tinta Suvinil
A melhor do Brasil
Eu todo cheio de vontade
Em todo setor que me colocava
Minha habilidade eu mostrava
Com muita facilidade

Com pouco tempo fui promovido
Eu era era muito querido
Meus chefe e os companheiros
Passei a ser escriturário
Dobrou o meu salário
Mas não guardava dinheiro

Fiquei sabendo estava arrependida
Transformou-se em mulher da vida
Uma tremenda amargura
Eu tornei-me num terrível namorador
Me fechei para o amor
Viva somente de aventura

Até um dia conheci, a querida
A mulher da minha vida
 Que me ensinou a amar de verdade
Faz 43 anos de casado
Sou um homem apaixonado
Na mais plena felicidade!

Dedico este cordel à minha amada esposa Nilza, mulher que me compreende, me completa e me faz feliz!




  



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